terça-feira, 4 de novembro de 2014

Vídeos auxiliam ensino de Ciências Exatas na UFRN e podem diminuir reprovações - Por Juliana Holanda


“Uma câmera na mão e uma ideia na cabeça” é a frase do cineasta brasileiro Glauber Rocha que inspirou gerações a fazer cinema. No Centro de Ciências Exatas e da Terra (CCET) da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), a mensagem foi adaptada para diminuir reprovações e preparar estudantes para o mercado de trabalho.

Há dois anos, professores e alunos dos diversos cursos do Centro estão unidos na produção de vídeos que auxiliam o aprendizado. Além de videoaulas de disciplinas teóricas e práticas, as gravações versam sobre resolução de questões e de provas e atendimento a discentes por meio de vídeo-chat.


Coordenado pelo assessor acadêmico do CCET e docente do Instituto de Química (IQ) da UFRN, Fabiano do Espírito Santo Gomes, o projeto divulga temas científicos de forma simples. “Usamos smartphones e câmeras de computadores para gravar os vídeos, depois editamos e disponibilizamos no sistema da UFRN”, explica Fabiano Gomes.
A cada semestre, professores, tutores e monitores do CCET podem participar de uma oficina de formação que os capacita a produzir os conteúdos. Atualmente, as gravações são usadas como material complementar às aulas e se tornam uma fonte extra de conhecimento para os estudantes.


Durante o semestre letivo, a equipe que produz os vídeos fica também à disposição dos universitários de forma online, facilitando, inclusive, o esclarecimento de dúvidas das disciplinas. “O material é bastante acessado durante todo o período letivo, mas as visualizações aumentam perto das avaliações. É uma forma de revisar o conteúdo”, afirma Fabiano Gomes.
O professor explica que a ideia é tornar os filmes acessíveis a qualquer pessoa interessada nos temas, mas, por enquanto, apenas os discentes da UFRN são beneficiados. “A utilização de vídeos no ensino não é novidade, mas o diferencial de nosso projeto é a participação dos alunos”, ressalta Gomes.

Tutor da disciplina Ensino de Química, o universitário Gabriel Alfredo de Morais trabalha com vídeos há um ano. A experiência fez com que criasse interesse pela carreira acadêmica. “Apesar de ainda estar na metade da minha graduação, já estou planejando fazer mestrado e doutorado. É muito gratificante repassar o conhecimento e saber que outras pessoas estão aprendendo com você”, diz.

A aluna Evelyne Nunes de Oliveira conta que as videoaulas facilitam seu aprendizado. Formada em Licenciatura em Química, Evelyne cursa atualmente o 4º período de Engenharia Química. “Quando fiz meu primeiro curso, não tínhamos acesso a esse tipo de conteúdo. Hoje, está mais fácil estudar, pois podemos assistir às aulas e tirar dúvidas em qualquer lugar”, avalia.
Professora de Química Orgânica, Lívia Nunes Cavalcanti destaca o benefício que o projeto oferece para as atividades práticas. Os estudantes assistem aos materiais antes de irem ao laboratório e, no momento da experiência, já sabem o que devem fazer e conhecem as características das reações que vão produzir. “Os vídeos dinamizam as aulas e melhoram o aproveitamento dos alunos”, analisa a docente.
A previsão é de que as produções do Instituto de Química da UFRN fiquem disponíveis na nova página do IQ, que deve ser lançada ainda este ano. “Essa metodologia nos permite ultrapassar os limites da sala de aula e alcançar um público mais extenso”, acredita o coordenador do projeto, Fabiano Gomes

Concurso de curtas

O projeto de ensino com vídeo deu origem a um concurso de curta-metragens com temas relacionados à Química. Em sua quinta edição, a competição promove a didática da química por meio da linguagem cinematográfica. A iniciativa é organizada semestralmente pelo IQ em parceria com a Associação Brasileira de Química do Rio Grande do Norte.

Ex-tutora e aluna do 4º período de Licenciatura em Química, Thaise de Vasconcelos Nascimento participa do concurso com um filme sobre tatuagem. Thaise acredita que o uso desse tipo de material consegue despertar maior interesse pela área. “Podemos atingir um grande número de pessoas. Precisamos aprender a utilizar a tecnologia a nosso favor”, avalia.

Fonte:  Boletim Especial da UFRN – Número 50‏

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