quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Formação de professores: teoria a prática devem caminhar juntas

Aliar a teoria e a prática nos cursos de graduação e nos programas de formação continuada é essencial para preparar o educador para ensinar uma disciplina, mas também para ouvir o aluno, identificar as dificuldades de aprendizado da turma, além de refletir sobre a própria atuação. Apesar de a estratégia ser conhecida por gestores públicos e especialistas, o dilema de construir programas em que teoria a prática caminhem juntos é uma realidade enfrentada por muitos países porque esse modelo de formação predispõe uma mudança na estrutura da carreira dos profissionais.

Uma proposta interessante é o programa de formação da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, que foi organizado contemplando a teoria e a prática. "Neste modelo, o professor passa metade do tempo na faculdade e a outra metade do tempo na escola. Isso torna a escola participante do programa uma unidade formadora, pois o estudante verifica na prática o que viu na universidade e, depois, retorna ao campus para discutir com professor o que viu na escola”, afirma a doutora em educação pela Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, Paula Louzano.

Conforme Paula, a questão da formação dos educadores no Brasil é complexa porque a origem da má formação é anterior à graduação. "Por ser uma carreira pouca atrativa, ela acaba não atraindo os melhores estudantes do ensino médio, que porventura chegam às faculdades com déficits de aprendizagem e se deparam com cursos públicos e privados com muita teoria e pouca prática pedagógica. O resultado disso são professores despreparados e que não sabem como lidar com questões que permeiam o dia a dia das escolas”.

Apesar dos desafios, ela afirma que é possível notar avanços nas formações continuadas. Um deles é o fato de as secretarias de Educação estarem lentamente deixando de lado o uso de palestras como método de capacitação. "As formações precisam funcionar como um espaço de troca, possibilitando que o professor exponha as suas dificuldades e também coloque em prática o que foi apresentado. Se ela se resume a exposição de conteúdo, as chances do professor se sentir motivado para colocar o que aprendeu em prática são mínimas”.

Paula destaca o programa de Tutoria da Fundação Itaú Social como uma experiência bem sucedida de formação continuada porque ela possibilita que o professor repense a sua prática a cada encontro com o tutor. "A figura do tutor é interessante porque este profissional atuará como um mentor do professor, analisando a sua atuação dele em sala de aula e, posteriormente, discutindo com o profissional de que maneiras ele pode melhorar a forma de ensinar e avaliar os alunos. Esse acompanhamento próximo aumenta as chances de o professor refletir sobre o próprio trabalho e mudar a sua atuação. Essa experiência é bem interessante porque aponta caminhos para a construção de uma política pública”.

Outra iniciativa da Fundação Itaú Social com esse propósito de aliar a teoria e a prática nas formações de profissionais que já estão lecionando é o programa Olimpíada de Língua Portuguesa Escrevendo o Futuro que chega a sua 4ª edição em 2014. A iniciativa, realizada em parceria com o Ministério da Educação e com a coordenação técnica do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec), busca por meio de gêneros textuais auxilia os professores de Língua Portuguesa a aprimorar a prática didática. Para tal, os participantes recebem a Coleção da Olimpíada, material de apoio que propõe uma sequência didática para auxiliar o trabalho dos professores por meio de gêneros textuais sugeridos (poesia, memórias literárias, crônica e artigo de opinião), e podem participar de cursos gratuitos a distância.

Para a professora pós-graduada em tecnologia da informação Édina Vianna, cursos que aliem a teoria e prática são fundamentais para que o professor saia da sua zona de conforto e aprenda novas maneiras de ensinar. "O professor se sente muito sozinho no dia a dia porque, infelizmente, a faculdade não o prepara para lidar com a desmotivação do aluno, com a falta de infraestrutura e a desenvolver na prática uma aula atrativa. Quando participei do curso de Sequência Didática da Olimpíada fiquei encantada com método e com a atenção dada pelo mediador para a turma. Isso foi muito importante para que eu decidisse reinventar a forma de trabalhar. Afinal, embora eu tivesse o conhecimento teórico sobre os gêneros textuais, me faltava o embasamento de como trabalhar esses gêneros com os alunos na prática. Vivenciar essa sequencia didática torna claro a maneira de fazer e mostra que sempre é possível ser um professor melhor”.

http://www.fundacaoitausocial.org.br/acontece/newsletter/edicao- n-49-novembro-2013-nota-1.html


Fonte: Fundação Itaú Social

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