LUZ, CÂMERA & HISTÓRIA: POR QUE CELEBRAR O CINEMA BRASILEIRO EM 19 DE JUNHO?

 

LUZ, CÂMERA & HISTÓRIA: POR QUE CELEBRAR O CINEMA BRASILEIRO EM 19 DE JUNHO?

Prof. Me. André Nascimento

Tutor presencial dos cursos de licenciatura em História, Letras e Ed. Física

Doutorando em História – PPGH-UFRN


No dia 19 de junho, celebramos o Dia do Cinema Brasileiro. A data não é por acaso: ela homenageia o dia em que o ítalo-brasileiro Afonso Segreto registrou as primeiras imagens em movimento no país, em 1898, a bordo do navio Brésil. De lá para cá, nossa tela deixou de ser um mero espelho do estrangeiro para se tornar uma das ferramentas políticas e culturais mais potentes da nossa história. O cinema nacional não é apenas entretenimento; ele é a nossa própria identidade em movimento.

UMA JORNADA DE FASES E REINVENÇÕES

Nossa cinematografia passou por transformações profundas, sempre respondendo aos contextos políticos de cada época. Passamos pelo glamour industrial da Vera Cruz e pela popularidade irreverente das “pornô chanchadas” nos anos 1970 e 1980, que levavam multidões às salas de cinema para a exibição de filmes que questionavam a moralidade e os “bons costumes”. Essas produções discutiam de maneira, às vezes cômica, o erotismo e a liberação sexual, a virgindade, o adultério e o jogo da conquista.

Na década de 1970, o Brasil revolucionou a estética global com o Cinema Novo. Com o lema "uma câmera na mão e uma ideia na cabeça", diretores como Glauber Rocha e Cacá Diegues romperam com o padrão hollywoodiano. Eles filmaram o Brasil real — a fome, o sertão, a xenofobia, a opressão —, transformando o cinema em uma arena de resistência política e conscientização social.

Mesmo após o sufocamento cultural durante a ditadura militar e o desmonte dos anos 1990, o nosso cinema provou sua imortalidade com durante a fase da “Retomada”, ressurgindo com força internacional em obras-primas que reconectaram o público com as nossas próprias mazelas e belezas.

OS ROSTOS E AS MENTES DA NOSSA TELA

Falar do cinema brasileiro é reverenciar os artistas da nossa sensibilidade. O cinema nacional é feito de gigantes:

  • Na direção: A genialidade visceral de Glauber Rocha (Deus e o Diabo na Terra do Sol), a lucidez histórica de Cacá Diegues (Bye Bye Brasil) e a ousadia transgressora de José Mojica Marins (o eterno Zé do Caixão), que criou um terror genuinamente brasileiro e reverenciado no mundo todo.
  • Na atuação: A imponência de Paulo Autran, que transpôs sua genialidade do teatro para as telas em papéis inesquecíveis (como no clássico Terra em Transe), ao lado de tantos outros operários da nossa arte que deram corpo e voz às nossas contradições.

O CINEMA COMO ATO POLÍTICO

O cinema brasileiro incomoda porque pensa. Ele é intrinsecamente político porque se recusa a silenciar. Quando um filme nacional entra em cartaz, ele leva consigo a nossa língua, os nossos sotaques, as nossas feridas abertas e a nossa capacidade infinita de fabulação. Cinema no Brasil é resistência. É o registro da nossa memória coletiva para que a gente não esqueça quem fomos, quem somos e quem podemos ser.

 

O PRESENTE É BRILHANTE: DO SERTÃO PARA O MUNDO

Se engana quem pensa que o vigor da nossa tela ficou no passado. O cinema brasileiro contemporâneo vive uma de suas fases mais pulsantes e descentralizadas, provando que as nossas histórias continuam universais. A maior prova disso foi a nossa consagração histórica no Oscar 2026. Com O Agente Secreto, o diretor pernambucano Kleber Mendonça Filho levou o Brasil de volta ao centro do debate cinematográfico global, conquistando quatro indicações — incluindo Melhor Filme e Melhor Filme Internacional. Além disso, a indicação inédita de Wagner Moura na categoria de Melhor Ator e o reconhecimento técnico de Adolpho Veloso em Direção de Fotografia deixam claro: a criatividade, a estética e a potência narrativa do nosso audiovisual continuam quebrando barreiras e emocionando o mundo.

  

Neste 19 de junho, o melhor jeito de celebrar é dando o play. Valorizar o cinema nacional é um ato de soberania cultural.

E você, qual filme brasileiro mais marcou a sua vida?

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