LUZ,
CÂMERA & HISTÓRIA: POR QUE CELEBRAR O CINEMA BRASILEIRO EM 19 DE JUNHO?
Prof. Me. André Nascimento
Tutor presencial dos cursos de licenciatura em
História, Letras e Ed. Física
Doutorando em História – PPGH-UFRN
UMA
JORNADA DE FASES E REINVENÇÕES
Nossa
cinematografia passou por transformações profundas, sempre respondendo aos contextos
políticos de cada época. Passamos pelo glamour industrial da Vera Cruz e pela
popularidade irreverente das “pornô chanchadas” nos anos 1970 e 1980, que levavam
multidões às salas de cinema para a exibição de filmes que questionavam a
moralidade e os “bons costumes”. Essas produções discutiam de maneira, às vezes
cômica, o erotismo e a liberação sexual, a virgindade, o adultério e o jogo da
conquista.
Na
década de 1970, o Brasil revolucionou a estética global com o Cinema Novo. Com
o lema "uma câmera na mão e uma ideia na cabeça", diretores
como Glauber Rocha e Cacá Diegues romperam com o padrão hollywoodiano. Eles
filmaram o Brasil real — a fome, o sertão, a xenofobia, a opressão —,
transformando o cinema em uma arena de resistência política e conscientização
social.
Mesmo
após o sufocamento cultural durante a ditadura militar e o desmonte dos anos
1990, o nosso cinema provou sua imortalidade com durante a fase da “Retomada”,
ressurgindo com força internacional em obras-primas que reconectaram o público
com as nossas próprias mazelas e belezas.
OS
ROSTOS E AS MENTES DA NOSSA TELA
Falar
do cinema brasileiro é reverenciar os artistas da nossa sensibilidade. O cinema
nacional é feito de gigantes:
- Na direção: A genialidade visceral de
Glauber Rocha (Deus e o Diabo na Terra do Sol), a lucidez histórica
de Cacá Diegues (Bye Bye Brasil) e a ousadia transgressora de José
Mojica Marins (o eterno Zé do Caixão), que criou um terror genuinamente
brasileiro e reverenciado no mundo todo.
- Na atuação: A imponência de Paulo
Autran, que transpôs sua genialidade do teatro para as telas em papéis
inesquecíveis (como no clássico Terra em Transe), ao lado de tantos
outros operários da nossa arte que deram corpo e voz às nossas
contradições.
O
CINEMA COMO ATO POLÍTICO
O
cinema brasileiro incomoda porque pensa. Ele é intrinsecamente político porque
se recusa a silenciar. Quando um filme nacional entra em cartaz, ele leva
consigo a nossa língua, os nossos sotaques, as nossas feridas abertas e a nossa
capacidade infinita de fabulação. Cinema no Brasil é resistência. É o registro
da nossa memória coletiva para que a gente não esqueça quem fomos, quem somos e
quem podemos ser.
O
PRESENTE É BRILHANTE: DO SERTÃO PARA O MUNDO
Se
engana quem pensa que o vigor da nossa tela ficou no passado. O cinema
brasileiro contemporâneo vive uma de suas fases mais pulsantes e
descentralizadas, provando que as nossas histórias continuam universais. A
maior prova disso foi a nossa consagração histórica no Oscar 2026. Com O
Agente Secreto, o diretor pernambucano Kleber Mendonça Filho levou o Brasil
de volta ao centro do debate cinematográfico global, conquistando quatro
indicações — incluindo Melhor Filme e Melhor Filme Internacional. Além disso, a
indicação inédita de Wagner Moura na categoria de Melhor Ator e o
reconhecimento técnico de Adolpho Veloso em Direção de Fotografia deixam claro:
a criatividade, a estética e a potência narrativa do nosso audiovisual continuam
quebrando barreiras e emocionando o mundo.
Neste
19 de junho, o melhor jeito de celebrar é dando o play. Valorizar o
cinema nacional é um ato de soberania cultural.
E
você, qual filme brasileiro mais marcou a sua vida?
Deixe
seu comentário aqui no blog!
Comentários
Postar um comentário